CEIFA

NUM TEMPO EM QUE O SUOR PESAVA NA TERRA

“Na verdade, a ceifa é trabalho algo árduo e duro. É preciso ter boa têmpera, estar habituado a suportar o calor de brasa que cai do céu de chumbo para aguentar esse trabalho, essa luta heroica do homem com a terra.

Só quem ainda não viu, na hora de maior calma, os ceifeiros, homens e mulheres (que as mulheres também estão afeitas a estas duras lides) curvados sobre a terra, empunhando a foice na mão direita e com a esquerda agarrando os caules de espigas que uma mancheia pode abarcar, caules que corta de um golpe, o mais junto da terra possível, não sabe avaliar bem a natureza deste trabalho campestre.

Sente-se a luta no estalar dos caules secos e no roçar do trigo pelos corpos em movimento.

Atrás, ao lado uns dos outros, abarcando 3 a 4 regos, lá vão eles deitando por terra o trigo, enquanto outros, os atadores, vão apanhando os pequenos molhinhos que os ceifeiros deixam atrás de si e for­mando com eles molhos grandes que atam com os próprios caules que eles tiram dos molhos já atados e entrelaçam de modo especial junto das espigas.”

Fialho de Almeida in Os Ceifeiros